Normas, engenharia e responsabilidade técnica
É raro encontrar uma aplicação de engenharia que não seja normalizada. No mínimo, quando não existe uma norma específica, outras referências técnicas são utilizadas como base para orientar o projeto e a execução.
Essa normalização é justamente o que diferencia a engenharia de soluções empíricas ou baseadas apenas na experiência prática.
Engenharia não é excesso: é precisão
A engenharia sempre teve como objetivo tornar os projetos mais assertivos.
Enquanto uma solução empírica pode utilizar toneladas extras de aço para “garantir resistência”, a engenharia busca o equilíbrio: resistência suficiente, com segurança e eficiência, evitando desperdícios de material.
Um projeto bem calculado pode reduzir centenas de quilos de aço sem comprometer a integridade estrutural, trazendo ganhos diretos em custo, execução e desempenho.
O papel do CREA e os limites da regulamentação
No Brasil, a atividade profissional dos engenheiros é regulamentada pelo CREA, que concede o registro e autoriza o exercício da profissão de acordo com a formação acadêmica do profissional.
Em tese, todo engenheiro ou engenheira com registro ativo está apto a projetar e executar seus serviços de forma segura. No entanto, é importante entender que o CREA não confere individualmente os cálculos ou projetos desenvolvidos por cada profissional.
Ou seja, o registro habilita, mas não garante, por si só, a qualidade técnica das soluções adotadas.
Conhecimento técnico e responsabilidade profissional
A segurança e a qualidade de um projeto dependem diretamente do nível de conhecimento, da experiência e da responsabilidade técnica do profissional envolvido.
Por isso, é fundamental dar preferência a engenheiros que:
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demonstrem domínio técnico sobre o tipo de estrutura ou sistema em questão;
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possuam experiência comprovada e portfólio consistente;
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saibam justificar tecnicamente as decisões adotadas no projeto.
Memória de cálculo e ART: documentos indispensáveis
Além da escolha do profissional, é essencial exigir a documentação técnica adequada.
A memória de cálculo é o documento que demonstra que as decisões do projeto foram tomadas com base em critérios físicos, matemáticos e normativos — e não em suposições.
Já a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) formaliza a relação entre:
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o profissional;
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o cliente;
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e o serviço executado.
Ela não apenas assegura a responsabilidade técnica, como também oferece respaldo legal para ambas as partes.
Conclusão
Mais do que contratar um engenheiro registrado, é fundamental contratar engenharia de verdade: conhecimento técnico, responsabilidade, documentação e critérios claros de projeto.
Esses fatores são decisivos para garantir segurança, desempenho e confiabilidade em qualquer aplicação de engenharia, especialmente em estruturas metálicas e sistemas de armazenagem.
